terça-feira, 6 de novembro de 2007

.: Simples :.

Passei esses últimos dias procurando entender a simplicidade.
Ou melhor, a não simplicidade.

Deveria ser mais simples. Viver mais simples.

Nunca fui adepto as coincidências e ao acaso da vida.
Eu, Lucas sempre fui céptico o suficiente para desmentir as casualidades da vida.
Sempre acredito que colhemos o que plantamos.

Mas acho que estou enfraquecendo o meu potencial céptico construído ao longo dos anos.
Talvez esteja mudando.
Ou simplesmente esteja prestando mais atenção ao redor.
Mais antenado. Menos cego.

Não sei a razão, mas decidi reler um livro. Um livro pequeno.
Só queria ler um dos capítulos, apenas o primeiro. Mas não consegui parar de lê-lo.
Devorei as suas páginas em poucos momentos.
E lá estava:

"Sim, tudo é simples. São os homens que complicam as coisas."
Albert Camus

Eu podia ter lido apenas o primeiro capitulo. Na verdade eu nem poderia ter relido Camus.
E ter ficado divagando por cem anos...
Mas li. Fiz o que tinha que ser feito. O que achava certo.

Coincidência?

Estou passando a crer que tudo tem seu tempo.
Mas a busca mal começará e já tinha sido "solucionada".
Parcialmente vale ressaltar, pois essa afirmação de Camus nos leva aos obscuro da nossa alma.

Nesse meio tempo fui acusado casualmente de SER um SER complicado demais. Mais uma casualidade da vida?
O fato é que já havia aliviado minhas questões da simplicidade com Camus, mas o acontecido me deixou com ar de desprezo e solidão.
Foi a primeira vez que me senti homem. Um ser que complica.
Nunca duvidei da minha humanidade. Poderia ter mil argumentos para contrapor a acusação. E na verdade tinha. Mas só iriam me deixar mais humano. Mais complicado.
O silêncio é o melhor dos sons falados.

Não sei.
Não sei por que as "coisas" não são simples.
Não sei por que somos humanos.
Não sei se deviria ser mais simples. viver mais simples.
Não sei se deveríamos deixar de ser humanos.
Não sei.

Estranho mais simplesmente não sei.
Não sei o que plantei.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

.: A Lua e o Sol :.

Mesmo cercado por pessoas nunca me senti tão só.
Mesmo falando como um narrador nunca me senti tão mudo.
Mesmo sabendo meus próximos passos nunca me senti tão perdido.

Deveria ser mais simples. Viver mais simples.

Mesmo com todo o ar da terra me sinto asfixiado.
Mórbido como a Lua.
Que só ganha vida ao encontrar o Sol. Que só tem sentido após o ser iluminada.
A Lua vive do Sol, e o Sol dá vida a Lua.
Parece um parasitismo do qual a Lua vive as custa do Sol.
O Sol não ganha, só dá sua luz em troca do nada.
Acredito que a Lua saiba disso,
mas a Lua precisa do Sol para cumprir sua missão à noite.
Eles não podem se desligarem, se afastarem. Acabariam com o ciclo da vida.
Mas...
como pode Lua roubar o brilho do Sol?
Como pode o Sol permitir?
Como pode a Lua ter ser tão dependente?

Não sei. O universo foi criado assim.
Devia ser mais simples.

Só acho que o Sol também usa a Lua.
O Sol descansa durante noite.
Não é um parasitismo.
Ambos dependem um do outro.
Mesmo, aparentemente, um oferecendo mais que o outro.

O Sol tem medo que a Lua não volte para poder descansar.
A Lua tem medo que o Sol não mas ilumine sua vida.
Apesar de não se encontrarem ambos sofrem com a ausência do outro.

Não sabemos quem somos: O sol ou A lua.
A Lua cercada por milhões de astros, se acha solitária no imensidão do universo
Sabe exatamente aonde vai estar em um milhão de anos, mas não pode ter certeza do amanhã. Não sabe se o Sol brilhará para ela.
O Sol reina sobre a galáxia, mas está subjugado a vida da Lua.
Não conseguiria respirar se a Lua não chegasse.

A saída?
Talvez saibamos:
Cada um procurar um novo Sol e uma nova Lua.
E assim manter a mesma dependência vulgar eternamente.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

.: Ter :.

Não sei.
Mas me disseram que não podemos ter "tudo" o que queremos.
Acho que ela falou sem pensar. Nem notou o que havia dito.
Obviamente: notei e pensei.
Não notar e pensar simplesmente, mas como eu, Lucas.
Parece fácil, mas não para mim.
As vezes penso como os outros e nos outros. Mas não como eu, Lucas e nem em mim.

Mas será que seremos eternamente frustrados? Sem ter "tudo"?

Eu espero que você, minha cara, esteja errada. Nós temos sim, "tudo" o que queremos ter.

A questão é: se não temos é porque não queremos.
A pergunta é: o que é ter "tudo" o que queremos?

Não discuto, mas somos capitalistas. Queremos tudo, aprendemos quando crianças e aparentemente nunca esqueceremos.
E mesmo evitando, não pude deixar de pensar porque sempre estamos querendo.
É sem hipocresia, estamos querendo:
comprar,
ganhar,
grana,
vencer,
viajar,
sonhar,
dormir,
conhecer,
fazer....
Parece que nunca estamos satisfeitos. Talvez seja por isso que minha nobre parceira tenha regogitado aquelas palavras.

Sempre estamos esperando algo. Planejando e concretizando.
É isso que é viver? Metas a serem cumpridas?
As vezes esqueço de viver o que planejo. Ficamos mais preocupados com as próximas metas. Não lembramos o quanto queríamos e planejamos estar vivendo o hoje.

Não muito distante tracei alguns comentários chulos a respeito do sentido e desejo do fim (.: Sentido:.) que inconscientemente impelimos nas "coisas".
Mas tenho em mente nesse momento, o sentido e desejo do início. O oposto.
Algo me diz que Iniciar anda ao lado do Querer.
Por isso não sei.
Não sei se precisamos de um desejo inicial para querermos algo.
Porque se precisamos, eu, Lucas preciso descobrir da onde ele vem? E como ele surgi?
Queria entender essas espontaneidade. Esse vício.
Lembramos ladrões, cleptomaníacos roubando "tudo".

Será que conseguimos viver sem ter "tudo" o que queremos?
Creio que não.
Temos "tudo", mesmo sabendo que não temos.
Pois, o que queremos e não temos é porque não vale a pena, não faz parte de "tudo".
Um dia perceberemos que não queremos, porque já temos TUDO.

Ter tudo .... é apenas ter. Sem viver.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

.: Aprendi :.

Existiu uma época em que aprendi a convencer as pessoas.
Não era muito novo. Apenas um tolo adolescente com um trunfo nas mangas.
Não sei como descobri, mas sabia falar o que queriam ouvir.
Percebia nos seus olhos o que aguçavam seus sentidos.
Aflições, desejos, sonhos e direções.
Não era necessário dizer mentiras.
Meias verdades já eram o suficiente.
E cada vez mais fui me especializando na arte do convencimento.

Convencer era realmente o que eu gostava de fazer.
Não importava o que.
Gostava de convencer você do certo ou do errado.
Gostava de mostrar as escolhas. Do avesso e do direito.
Determinar os parâmetros.
Expor e convencer. Argumentar.
Não havia nada mas interessante em ver como as pessoas reagiam e agiam.

O mais interessante é que nunca interferia na decisão final. Só fazia o papel de opositor para que a pessoa se convencesse por si só.
Quer dizer. Isso só aconteceu no início.
Era mas do que evidente que seria corrompido. O poder corrompe as pessoas.
Um tanto quanto um vigarista, passei a utilizar esta arte em benefício próprio.
Tinha construído uma ferramenta fundamental para a convivência humana.
É bem verdade que nem sempre lograva êxito nas minhas "investidas de convencimento".
Nem todas as pessoas são passiveis do convencimento. Mas boa parte está a nossa disposição.
Aprendi que as pessoas só querem uma oportunidade, mesmo que ínfima, para serem convencidas daquilo que precisam fazer. Como um cão treinado, apenas esperando a voz do domador. As vezes sinto que não convenço apenas dou coragem. O limiar de excitação.
Existem técnicas para o convencimento. Uma sequência lógica para a vitória.
Nunca revelarei a minha.
Mas, eu só preciso de dois minutos....

.... enquanto estive no Rio....
Aprendi.
Na verdade já vinha pensando nisso alguns dias antes do embarque.
Mas só no Rio aprendi.
Aprendi que não se pode convencer as pessoas por muito tempo.
Estava custando a acreditar nessa prerrogativa, contudo me mostraram e confirmaram no Rio que convencer pode soar como enganar. Depende apenas do meu interesse e do meu tom.
Então pergunto:
Quais as diferenças entre convencer e ludibriar?
Entre mostrar as opções e conduzir?

Infelizmente ainda não sei.

Só sei que meu corpo já não mas admite esse comportamento voraz pelo convencimento.
Não sei até que ponto enganei para ser quem sou e estar onde estou.
Posso ter vivido um longo engano.
Pois não sei
Não sei se eu convenci meus amigos a se tornarem meus amigos?
Se eu convenci as pessoas que me amam que elas precisam me amar?
As vezes prefiro acreditar que sim, porque nada está sendo eterno.

Hoje prefiro a distância e o silêncio.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

.: Entendi :.

Enquanto estive no Rio...
...pude entender "coisas" um tanto quanto simplórias.
Simples, mas que nunca havia notada. Muito menos percebido.
As vezes somos cegos. Agindo na certeza do escuridão.
Errar. Nunca temos certeza se estamos cometendo esse irresistível e necessário delito.

Em determinadas situações é difícil perceber que estamos errando.
Não é fácil se convencer de que estamos errando.
Pior.
Não é fácil convencer as pessoas de que estamos certos.
É extremamente difícil acreditar que passamos uma "eternidade" vivendo num grandioso erro.
É difícil assumir diante das pessoas. Voltar a trás.
Fácil mesmo é julgar erros.
Não os meus. Mas os seus.
Pois, não enxergo meus erros. Para mim são certezas. Verdades irrefutáveis.
Seu erros me mostram o quão certo estou.
Isto reflete minha prepotência e minha pouca humildade?
Não, não...
Não me refiro ao fato sermos humildes ou prepotentes.
Não trato de erramos numa simples conta de 2 + 2 = 4 ou 22.
Trato de erros..... , erros naturais, subliminares, substancias, abstratos, sem referencial ....

Entendi que julgo seu erro baseado na minha grande certeza.
Entendi que só estou certo porque você ou alguém está errado ou errando em algum lugar.

Se não sabemos o que é, e aonde está o certo, estaremos sempre errando. "Eternamente".
Se não sabemos o que é, e aonde está o erro, estaremos sempre certos. "Eternamente"

Não que eu queira entrar na discussão de que o "Ovo veio antes da Galinha",
mas afinal de contas o Certo e o Errado se misturam para dar gosto a vida.
As vezes amargo. As vezes doce.

Fácil e difícil.
Errado e certo.
Nunca estamos certos. Nunca estamos errados.
Estamos sempre você e eu, Lucas continuamente cometendo o simples delito de errar e o complexo crime hediondo de acharmos que estamos certos.

O que entendi pode não fazer sentido porque assumir que uma pessoa está certa é delatar o seu próprio erro.
É notar aquilo que nunca havíamos notados. É perceber aquilo nunca havíamos percebido.

O silêncio e o tempo nos tornam cegos.

domingo, 30 de setembro de 2007

.: Voltei Recife ... :.

Porém, não foi a saudade que me trouxe pelo braço.
Foram esperanças.
Rio. Não tem como retratar. Apenas se admira com olhos fechados.
Mas o melhor do Rio não é o Rio.
São os cariocas.
Eles são felizes. Ou melhor, sabem como ser felizes.
Cariocas são bonitos
Cariocas são bacanas
Cariocas são sacanas
Cariocas são dourados
Cariocas são modernos
Cariocas são espertos
Cariocas são diretos
Cariocas não gostam de dias nublados
Cariocas nascem bambas
Cariocas nascem craques
Cariocas têm sotaque
Cariocas são alegres
Cariocas são atentos
Cariocas são tão sexys
Cariocas são tão claros
Cariocas não gostam de sinal fechado ...

"Adriana Calcanhotto"



Apesar de um curto período.
Entendi.
Aprendi.
Percebi.
Conheci.
Ri.
Como nunca.

Ser feliz.
Foi o que me trouxe de volta.
Não como os cariocas. Mas como eu, Lucas.

domingo, 23 de setembro de 2007

.: Ida :.

Aqui









onde passarei os próximos 8.030 minutos de minha vida.

Sempre tenho frio na barriga antes de viajar. Mas não esse que estou sentido agora.

A vocês que ficam um breve até logo.
A você que vai uma brusca mudança.

Estarei de volta aos braços da Mata.
Saudades. Muitas.
Esperem.

.: A vida é uma Pelada :.

A vida imita muitas "coisa".
Muitas "coisas" imitam a vida.
De forma que não sabemos se estamos na vida ou na "coisa".
Mas não tem importância. Não percebemos a diferença.

Acredita que estejamos numa Matrix ?

Creio que não. Se assim fosse, tudo seria mais fácil. Sem graça. Sem prazer. Sem Vida.
Não Teríamos nem Vida e nem Coisa.

Então qual o sentido da vida?
Não da minha, nem da sua. Mas da vida, sem pronomes de possessão.

Nascer?
Crescer?
Morrer?

Aprender?
Transmitir?
Rir?
Trabalhar?

Desaprender?
Omitir?
Chorar?
Vagabundear?


Todos temos perguntas irracionais.
Mas não estou ao lado das pessoas certas por acaso.
As vezes afirmações irracionais e aparentemente sem sentido valem mas do que entender a nossa Matrix.
Agora não tenho mais dúvida: A vida é uma Pelada. Como uma partida de futebol.
Se ainda tens dúvida disso, então preste atenção.
Qual o sentido, qual a lógica, razão... de um bando de marmanjo correr atrás de uma bola, como um louco, para gritar gol ?
Pior, correr insanamente atrás da bola, brigar por ela, xingar para depois desprezá-la, passar para frente ou dar de presente para outra pessoa.

Nenhuma. Não tem lógica. Sentido.
É o mesmo que perguntar.
Para que aprendemos a ler?
Para que estudamos?
Para que trabalhamos? Para que ter dinheiro ?
Para que amar?
Para que ter filhos? Para que Criá-los?
Para que ?
Por que simplesmente não ficamos estáticos. Parados eternamente. Se não sabemos responder o significado da Vida.


Mas a Vida mimetiza uma Pelada. Sem restrições. Sem diferenças.
Apenas Jogamos.
Apenas Vivemos.
Querendo fazer gols.
Querendo ser feliz.

As vezes fazemos falta. As vezes sofremos faltas.
As vezes levamos cartão amarelo por advertência. As vezes somos expulsos do jogo. As vezes ficamos impunes.
As vezes apanhamos. As vezes batemos.
As vezes temos que baixar a guarda e se defender para não levar gol. As vezes precisamos contra-atacar para fazer gol.
As vezes perdemos gols feitos por "burrice". As vezes fazemos golaços porque arriscamos, ousamos.
As vezes levamos gols por descuido, cegueira.
As vezes rimos quando perdemos. as vezes choramos quando ganhamos.
As vezes somos peças fundamentais. As vezes atrapalhamos tudo.
As vezes acertamos. As vezes erramos.
As vezes só pensamos que somos o único capaz de marcar gol. As vezes tocamos a bola para outro.
As vezes somos frios e calculista. As vezes somos passionais demais.
As vezes levamos puxão de orelha, do técnico, para acordar para o jogo. As vezes temos que ser substituídos.
As vezes...
As vezes perdemos. As vezes ganhamos.

TUDO POR CAUSA DA PELADA. TUDO POR CAUSA DA VIDA

Um dado.
Romário, um goleador, uma vez fez uma experiência.
Seu batimento cardíaco foi monitorado durante toda a Pelada.
Num dado momento a bola foi lançada para ele na lateral da pequena área.
De frente para o gol. Ele. A bola. O goleiro. A torcida.
Em poucos segundos o gol estava marcado. Gol de "Catigoria".
Quando verificaram o seu batimento durante o momento dessa jogada de mestre, viram que seu batimento não variou. Ficou na casa dos "80". Mesmo após o gol, apenas uma leve subida. Um craque.
Em outras palavras. Ele não pensou. Não sentiu. Apenas foi frio, usou a lógica e fez o que tinha que ser feito.
Outra pessoa. Teria tido um ataque cardíaco. As pernas ficado dormente e perdido o gol.
Mas minha pergunta é:
Será que Romário aproveitou a Pelada, se não sentiu, se não pensou? Só fez o gol por que tinha que ser feito? Será que ficou feliz com o acerto? Ou um vazio?
Enquanto, o jogador apavorado, que sentiu, pensou, tentou raciocinar aproveitou? Será que ficou feliz com o erro? Ou um vazio?
Os dois aproveitaram?

Mas agora qual o sentido da Minha vida? Ou da Sua?
Fazer gols? Ao menos tentar? Ou passar o resto da vida no banco de reserva esperando algo acontecer?
Ser frio, calculista e maquiavélico para fazer um gol? Ou esperar que aconteça naturalmente?
O quanto vale um gol? Melhor. O que você faria para fazer um gol? O quão disposto está para ariscar e tentar fazer o gol? O que não está disposto fazer por um gol?

Só existiu um único louco que tentou entender a vida, mas como disse já estava louco.

Ao grande parceiro, aficionado por futebol, que me fez entender que
A vida é uma Grande Pelada.
Rafael L Guimarães

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

.: Costumes :.

Engraçado.
Em minha casa existe um açucareiro de inox muito antigo. Estilo colonial.
Ele está em nossa família a um bom tempo. Segundo Dona Joana, foi do casamento.
Mas não quero falar do açucareiro em si. Quero me referir a um de seus utensílios.

A colher do açucareiro.

Pois é, um objeto tão sem estima, tão esquecido que nem nome próprio tem. Colher do açucareiro.
É o mesmo que, esse é o filho de seu Pedro. Sem identidade.
Mas só hoje pude perceber uma coisa.
Por algum motivo essa colher do açucareiro não estava no seu devido lugar.
Não estava imersa por entre os grão de açúcar naquele inox tão lustroso. Simplesmente não estava.
A minha vida toda sempre adocei minhas bebidas com essa colher. Nem pensava. Percebia a quantidade de suco no copo e milimetricamente colocava na medida certa o açúcar com essa colher.

Copo cheio. Três colheres das do meu açucareiro. O suficiente.

Mas não. A colher não estava lá no misero do açucareiro. Tinha uma outra ao lado tentando ocupar seu lugar.
Fiquei desnorteado. Sem saber o que fazer.
E agora? Tinha que tomar meu suco.
Não tinha como achar a tão importante, agora mas do que nunca, minha colher. Minha preguiça noturna forá maior.
O jeito foi escolher a outra colher ao lado que impiedosamente tentava roubar seu lugar, esperava uma oportunidade para exercer sua função, de ser usada.
Mas acreditem, não teve jeito.
O suco não teve o mesmo gosto. O mesmo sabor. O mesmo Cheiro. Não era mas meu suco.
Mesmo usando as minhas técnicas experimentais, o suco sempre ficava muito doce ou muito aguado. Nunca o meu suco gostoso feito e mexido com aquela tão desprezível e ignorada colher.
Não tive escolha.
O suco foi goela abaixo. Doce. Aguado. Sem gosto. Só tinha que bebê-lo.
Só assim percebi quão acostumado estava a essa insignificante colherzinha maldita.

Mas o engraçado não foi isso. A graça veio depois numa pergunta mental.

Será que eu amo essa colher do açucareiro?

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

.: O eterno, simples a luz do futuro :.

Hoje me vi envolto no eterno. No futuro.

Tenho grande apreço à
Respostas sem perguntas.
A soluções sem problemas.
A alegrias sem motivos.

Pois nos mostra que não somos quem pensamos ser. A vida se torna o avesso. Incompreensível.
Ser um outro alguém é inaceitável, mas não significa não ser eu, Lucas. Mas sou diferente de agora e de antes. Graças a você. Graças a vida.
Sou eu, Lucas. Mais forte, mais triste. Mais fraco, mais alegre. Apenas diferente.

Essas distorções são fruto do meu dia preenchido pelo futuro e eternidade. Que assim como o amanhã são incertos e desejados.

Devo esse preenchimento à um louco e o amante. Confesso. "Eles" me fazem pensar. Não só nesse futuro de planos, sonhos e desejos. Mas em relação nós. A quem seremos em detrimento de quem queremos ser.

Será que seremos quem queremos e planejamos ser ?
A eternidade. Apenas uma ilusão ?
Será que sendo quem queremos ser agora poderemos nos tornar essa pessoa amanhã ?

A primeira vista não. Nada é eterno. Somos materialistas o suficiente para entender.
Mas gostamos de ser hipócritas. Sempre vemos dois lados das "coisas". As duas faces da moeda.
O eterno é essencial, substancialmente importante para configurar a vida.
Essa ilusão nos torna homem. Criamos esperanças. Construimos a vida.
Nos agarramos a eternidade não por sede de vida, mas por medo da solidão do amanhã.

Dois pontos.
Felicidade.
Se quisermos ser feliz devemos começar de agora? nesse instante? pois se formos feliz agora seremos felizes amanhã e depois? É assim que funciona?
E caso não sejamos felizes hoje, amanhã também não seremos?
Pois se sabemos que nada é eterno, para que ser feliz agora se um dia saberemos que não seremos mais. Num seria melhor ser triste hoje e esperar o dia feliz de amanhã?


Amor.
Amor, o que mas nos engana. Nunca aprendemos. Esse, será que é eterno? ou temos que aprender a dar e receber adeus?



O que ser ou o que não ser? Somos, eis a questão. Felizes ou triste. Não como numa montanha russa. Pois não sabemos a hora, nem o dia. Mas se ficarmos presos a uma falsa eternidade não nos tornaremos homens. Não transmitiremos esperanças. Não semearemos a vida. Não seremos.
O eterno é simples. É até onde quero que ele seja. As vezes um adeus não põem fim ao eterno. Apenas começa outro.

O que quero ser amanhã ?
Não sei?
Talvez você. Talvez eu.
Depende. Preciso de perguntas, problemas e motivos.
Só serei "eternamente" diferente.

domingo, 16 de setembro de 2007

.: Cibelle Eu Sempre Te Amei :.

Quando trabalho não gosto de pensar. É mas inteligente.
Uso a lógica, a sabedoria dos fracos.
Mas nesses dias não foram como sempre. Não consegui.
Vaguei nas entranhas do pensamento enquanto trabalhava, enquanto agia.
Em determinadas épocas certos eventos, sons, silêncios passam a ter sentido.

Normalmente trabalho cantando junta à imaginação.
Dessa vez vaguei junto com Lenine.
Por entre os movimento repetitivos do trabalho, fui levado a me perguntar:

Por que nossos anseios são devorados maciçamente?
Por que não queremos mais fazer aquilo que a alguns segundos, minutos, horas, anos atrás queríamos com tanto empenho fazer?
Por que o tempo nos faz isso?
Envelhecer?
por que?



Não tenho afirmações concretas. Nunca a teremos.
Só temos a certeza de que 2 + 2 são 4. Porque precisamos acreditar para viver.

Minha abstração desses questionamentos não vieram tão rápido como de costume.
Foi preciso um coquetel aliado a uma frase dita por ninguém menos que O Grande Raul.
Pois só assim pude enxergar "porque" negamos, esquecemos, deixamos de lado... nossos tão sonhados anseios infinitamente planejados.

- "Cibelle Eu Sempre TE AMEI"

Cibelle, uma cantora pouco conhecida em nossa região, que com um bom desempenho conseguiu conquistar a calorosa platéia sedenta de amor.
Mas segundo Raul, muitas pessoas, assim como eu, Lucas, nunca viram ou conheciam a cantora Cibelle, mas mesmo assim declamavam todo o seu amor a ela repetidas vezes.


- "Cibelle Eu Sempre TE AMEI"



Não que estivéssemos criticando a platéia ou a cantora. Mas rimos insanamente do ocorrido.
Entretanto logo me indaguei. Não pude deixar de retornar as minhas divagações sobre nossos anseios.

Por que nos, humanos, somos assim?
Estamos fadados a viver pensando no agora? Pensando no momento?
Sempre planejando "coisas" para não vivê-las? Para negá-las?

Precisamos disso para viver. Do momento. Ele nos preenche. Alivia-nos .
Esquecemos do que não queremos, mas, sobretudo, esquecemos do que queremos (queríamos).
O agora nos corroí se não vivê-los estamos esquecemos de nós mesmos. Suicídio.

"Tá cansada, senta
Se acredita, tenta
Se tá frio, esquenta
Se tá fora, entra
Se pediu, agüenta
Se pediu, agüenta..."

"Se sujou, cai fora
Se dá pé, namora
Tá doendo, chora
Tá caindo, escora
Não tá bom, melhora
Não tá bom, melhora..."

Lenine

Não mas reafirmo. Indago.
Certos eventos, sons, silêncios passam a ter sentido em determinadas épocas?
Acredito que fazemos as "coisas" terem sentido apenas quando queremos.
Possa ser que estejamos certo. Mas possa ser que 2 +2 são 22 e não 4. Depende do que queiramos acreditar.
O agora, o hoje não me faz pensar. Por isso quando trabalho não penso. Se não erro substancialmente. Apenas faço. Confio em mim. É apenas um Momento. Um instante.

São as faces da moeda. E as consequências que resultam.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

.: Assim, amigos :.

As pessoas se enganam facilmente.

Quem disse que amigo é para todas as horas?

Fatalmente cometeu um erro. Isso é egoísmo e não amizade.

Amigo não se escolhe, não se compra, não se ganha.
É simples. Amigos se têm.

Amigos são para certas horas, minutos, segundos. É o suficiente.

Amizade não tem início nem fim. Não é para sempre. Não é eterna.
É simples. Amizade existe.

Ficamos amigos sem perceber. Num interesse mútuo. Uma sociedade fraterna secreta.

Para rir. Para chorar. Para viver.

Não é um casamento, é uma incerteza.
Uma divisão incerta.

.Amigo.
Prefiro não tê-los. Só tenho irmãos.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

.: Jargões :.

Todos gostamos de frases de efeitos, principalmente quando adolescente.
Frases que fazem nos sentir melhores quando faladas.
Frases generalista que não dizem nada.
Lugar comum.
Desconheço sua(s) função(ões).
Mas aparentemente, elas nos engrandecem, nos amadurecem, nos fortifica.
É assim que funciona.
Quem nunca disse:

- A sociedade tem que mudar. É o sistema.

OU

- Vivemos numa sociedade globalizada.

OU
simplesmente

- Eu te amo.

Não diferentes aos demais. Me agarrei a um desses jargões ainda na adolescência.
Mas no meu caso foi diferente. Porque realmente não conseguia entender nada do que aquelas miseras palavras queriam me dizer mesmo querendo.
Sim. Elas me consumiam diariamente. Estava mas do que claro.
Minha burrice aflorava. Chegava a ser cômico.
Algumas das vezes que escutava (que não foram poucas) meu irmão estava ao meu lado e sempre traçava um comentário extremamente anarco-filosófico. E eu sempre concordava como um animal domesticado com movimentos discretos dos olhos e cabeça.
Por muitas vezes usei essa frase. Me sentia bem. Ela me tornava melhor, mais seguro.
Mesmo sem entendê-la queria dizê-la em todos os momentos. Até nos mais impróprios possíveis.
Nessa época me achava o dono das ideias revolucionarias. O escolhido para fazer as mudanças. Conduzir as pessoas, convencê-las. (de fato, modéstia parte, me tornei bom nessa arte de convencer... -no devido momento entraremos nessa questão).
Fazia os programas mais loucos existentes na época. Lia os livros menos convencionais. Tudo para chocar as pessoas. Cabelo Pintado, Moicano, Grande..........
E nessa ebulição foi em que me vi diante dessa estúpida frase. Nas provocações durante a madrugada Abujamra, como num close, me olhou nos olhos e afirmou:

- Nada é importante !

Naquele instante senti que era a "minha" frase. Mesmo muda. Era minha.
Mas, como vocês já sabem, não entendi nada. Quem me conhece, sabe das minhas dificuldades portuguesas. Mas a questão não era essa. Era mas complexa, ao menos para mim.
Traço apenas duas questões dessa complexidade.

Em primeiro.O "nada" é que muito importante.
ou
Em segundo. Não existe "nada" importante.

Hoje tenho uma percepção diferente dessa frase. Não a trato mais como jargão.
Imagino que não seria esse Eu, Lucas, se não tivesse abstraído esse conceito. Se não tivesse feito perguntas. Se não tivesse acreditado.

Mesmo desconhecendo o seu sentido eu a vivi. E essa é a diferença que transformam idéias importantes em jargões de ultimo escalão.

A sociedade ter que mudar é a mais pura verdade. Mas se não acreditarmos, perguntarmos, vivermos.... nos enquadraremos nas ideologias de Cazuza,


Viver numa sociedade globalizada
é um fato que se não acreditarmos, perguntarmos, vivermos.... estaremos procurando o lado escuro da lua.

Amar alguém e não acreditarmos, perguntarmos, vivermos não entenderemos o sentido de que nada é importante.

Porque tudo isso que escrevo pode parecer um imenso jargão, sem importância alguma, se não quisermos acreditar. Pois afinal de tudo Nada é importante mesmo, num é?.
Amanhã será um novo dia.


Apenas releia-a novamente. Acredite!

- Nada é importante !

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

.: Pudor :.

Fazia tempo que não agia sem pudor.
Sim, sem pudor algum. Não sei o motivo. Talvez não tivesse sendo eu, Lucas.
Lembro quando um pouco mais novo, só gostava de me divertir assim, sem pudor, sem noção e com muita ironia. Fazia isso não para os outros, mas para mim.
De uma forma ou de outra gostava que as pessoas ao meu lado sorrissem verdadeiramente. Se sentissem alegres ao menos por um instante.
Ontem e hoje, madrugada a fora, retornei um pouco aos meus ideias originais. Admito que, apesar de tudo, não foi difícil. Só precisou juntar:

  • Amigos e bebidas
  • Músicas (as piores e mais agitadas possíveis) para dançar
  • Um motivo social
  • Mulheres (principalmente as feias)
Decifrando:
  • Os amigos: Luiz, Teruo, Tomio, Hermani, El Bile, Jorginho
  • Bebidas: Whisky, vodka e meu guaraná
  • As músicas: Ivete Sangalo, Jamil, Jota quest, Capim cubano....
  • O motivo: Formatura de Jorginho
  • Mulheres: A maioria das presentes
Me divertir como nos velhos tempos. Sem preocupação, sem pudor, sem medo.
Como uma criança, sem preocupação
Como um adolescelente sem pudor
Como um adulto sem medo
Como o velho Lucas de uns 3 a 4 anos atrás.

São sensações diferentes.
Modos diferentes de se chegar ao mesmo ponto: Ser Feliz.

Já dizia Drummond

"Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade"

É apenas o que desejo.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

.: Sentido :.

Sempre me pergunto se queremos nos responder todas as perguntas que nos mesmos criamos.
Ou simplesmente fugimos delas como uma alternativa vulgar.
Não diferente a todos. Ontem me vi em frente a um desafio, que nos últimos tempos me consome loucamente.
Não sei ainda se quero responder, se não sei a resposta, ou não quero achar.
Mas a(s) questão(ões) que tomou conta das minhas idéias foi:




Será que as "coisas" para terem sentido precisam ter um fim?
Será que "tudo" acha seu sentido quando chega ao fim?





Normalmente não gosto dessas palavras destacadas. Sempre nos remetem a confusão e a contradições generalizadas.

Tenho argumentos muitos fortes para justificar que meus questionamentos não são uma pergunta e sim uma exclamação transformada em pergunta retórica do qual já sei a resposta. Como se quisesse me provocar.
Por exemplo a dor e a vida. Sabemos o seu significado porque tem um fim?? !!

A vida caminha ao lado da morte, não no seu sentido mas fugaz, mas sempre tentamos satisfazer nossos desejos e sonhos como medo de que não possamos mas fazê-los. Olhar para o que vivemos e não nos sentir completos.
Vivo(emos) intensamente o presente, planejando as ações futuras (para vive-las).

Será que posso afirmar que a Vida tem razão sem a Morte? ....

Então surgiu uma nova ideia em mim:

O que é preciso ter fim para ter sentido?

Das minhas poucas leituras em vida, só agora pude percebe o quão certo Stephen Jay Gould está. Ele me faz perceber que basta nos mudarmos a pergunta que podermos achar uma resposta, ou seja, as vezes o problema está em nossa pergunta.
Acredito que refiz a pergunta pensando em Amar.
Será que só sabemos o que amamos quando o amor acaba?
Só acredito que o Amor não precisa de Ódio para ter sentido.
E não sei se precisa de fim para entende-lo, pois quem tentar enteder o sentido do amor já não está mais amando.

você sabe o que ama?

Não fico preocupado com está questão.
Apenas amo!
Só saberemos nos responder quando nossa vida tiver sentido.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Não era um dia triste, realmente não era. Nem chover, chovia.

Fazia frio como num desses dias melancólicos parecendo que nunca iria se acabar.

Como nos últimos dias, comias as horas para que não fosse comido, matava o dia para que ele não me matasse.

Em um surto de alegria, como um suspiro ofegante, saio à noite para massacrar o dia.

Não.

Mas uma vez o dia massacra a vida. Não houve tempo de reação.

Por mais que não quiséssemos era chegada à hora.

Alguém invadiu minha alma e esmagou meu coração. Na verdade

parte dele foi embora.

O que fica?

Tristeza

Saudade

Um sentimento de que devia ter feito.... (mas não fiz).... devia ter dito....

A morte nos preenche.

Por um grande instante a vida passa a não fazer sentido.

Sem direção, sem propósito, sem rumo. É assim que lidamos com a vida, ou melhor, com o fim dela.

Num segundo instante começamos a querer acreditar, a aceitar o ciclo natural da vida. No início mentimos para nos mesmos. Passamos a acreditar, na incoerência, que foi melhor assim.


Agora, prefiro acreditar nos momentos, ensinamentos, desajustes, alegrias e contratempos que tive ao seu lado e que me fazem percebe agora o quão importantes foram para me tornar o que sou.

Queria tê-la novamente, só por mais um instante,

para fazer o que não fiz, para dizer o que não disse. Não posso mais.

Mas posso relembrar todos os dias em que estive ao seu lado nesses 20 anos e dizer que tive muito orgulho em me tornar seu neto.

A minha Vó

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

?


Por que será que temos que viver sempre pensando em dias melhores?

Por que será que a esperança sempre nos conforta, muito mas do que a realidade?

Por que sempre esperamos para ser feliz?

Será que vivemos?

Será que compreendemos a vida?

Será que faz sentido compreende-la?

Será que precisamos?

Vida?

Apenas Viva!