Existiu uma época em que aprendi a convencer as pessoas.
Não era muito novo. Apenas um tolo adolescente com um trunfo nas mangas.
Não sei como descobri, mas sabia falar o que queriam ouvir.
Percebia nos seus olhos o que aguçavam seus sentidos.
Aflições, desejos, sonhos e
direções.
Não era necessário dizer mentiras.
Meias verdades já eram o suficiente.
E cada vez mais fui me especializando na arte do convencimento.
Convencer era realmente o que eu gostava de fazer.
Não importava o que.
Gostava de convencer você do certo ou do errado.
Gostava de mostrar as escolhas. Do avesso e do direito.
Determinar os parâmetros.
Expor e convencer. Argumentar.
Não havia nada mas interessante em ver como as pessoas reagiam e agiam.
O mais interessante é que nunca interferia na decisão final. Só fazia o papel de opositor para que a pessoa se convencesse por si só.
Quer dizer. Isso só aconteceu no início.
Era mas do que evidente que seria corrompido. O poder corrompe as pessoas.
Um tanto quanto um vigarista, passei a utilizar esta arte em benefício próprio.
Tinha construído uma ferramenta fundamental para a convivência humana.
É bem verdade que nem sempre lograva êxito nas minhas "investidas de convencimento".
Nem todas as pessoas são passiveis do convencimento. Mas boa parte está a nossa disposição.
Aprendi que as pessoas só querem uma oportunidade, mesmo que ínfima, para serem convencidas daquilo que precisam fazer. Como um cão treinado, apenas esperando a voz do domador. As vezes sinto que não convenço apenas dou coragem. O limiar de excitação.
Existem técnicas para o convencimento. Uma sequência lógica para a vitória.
Nunca revelarei a minha.
Mas, eu só preciso de dois minutos....
.... enquanto estive no Rio....
Aprendi.
Na verdade já vinha pensando nisso alguns dias antes do embarque.
Mas só no Rio aprendi.
Aprendi que não se pode convencer as pessoas por muito tempo.
Estava custando a acreditar nessa prerrogativa, contudo me mostraram e confirmaram no Rio que convencer pode soar como enganar. Depende apenas do meu interesse e do meu tom.
Então pergunto:
Quais as diferenças entre convencer e ludibriar?
Entre mostrar as opções e conduzir?
Infelizmente ainda não sei.
Só sei que meu corpo já não mas admite esse comportamento voraz pelo convencimento.
Não sei até que ponto enganei para ser quem sou e estar onde estou.
Posso ter vivido um longo engano.
Pois não sei
Não sei se eu convenci meus amigos a se tornarem meus amigos?
Se eu convenci as pessoas que me amam que elas precisam me amar?
As vezes prefiro acreditar que sim, porque nada está sendo eterno.
Hoje prefiro a distância e o silêncio.