quinta-feira, 18 de outubro de 2007

.: Ter :.

Não sei.
Mas me disseram que não podemos ter "tudo" o que queremos.
Acho que ela falou sem pensar. Nem notou o que havia dito.
Obviamente: notei e pensei.
Não notar e pensar simplesmente, mas como eu, Lucas.
Parece fácil, mas não para mim.
As vezes penso como os outros e nos outros. Mas não como eu, Lucas e nem em mim.

Mas será que seremos eternamente frustrados? Sem ter "tudo"?

Eu espero que você, minha cara, esteja errada. Nós temos sim, "tudo" o que queremos ter.

A questão é: se não temos é porque não queremos.
A pergunta é: o que é ter "tudo" o que queremos?

Não discuto, mas somos capitalistas. Queremos tudo, aprendemos quando crianças e aparentemente nunca esqueceremos.
E mesmo evitando, não pude deixar de pensar porque sempre estamos querendo.
É sem hipocresia, estamos querendo:
comprar,
ganhar,
grana,
vencer,
viajar,
sonhar,
dormir,
conhecer,
fazer....
Parece que nunca estamos satisfeitos. Talvez seja por isso que minha nobre parceira tenha regogitado aquelas palavras.

Sempre estamos esperando algo. Planejando e concretizando.
É isso que é viver? Metas a serem cumpridas?
As vezes esqueço de viver o que planejo. Ficamos mais preocupados com as próximas metas. Não lembramos o quanto queríamos e planejamos estar vivendo o hoje.

Não muito distante tracei alguns comentários chulos a respeito do sentido e desejo do fim (.: Sentido:.) que inconscientemente impelimos nas "coisas".
Mas tenho em mente nesse momento, o sentido e desejo do início. O oposto.
Algo me diz que Iniciar anda ao lado do Querer.
Por isso não sei.
Não sei se precisamos de um desejo inicial para querermos algo.
Porque se precisamos, eu, Lucas preciso descobrir da onde ele vem? E como ele surgi?
Queria entender essas espontaneidade. Esse vício.
Lembramos ladrões, cleptomaníacos roubando "tudo".

Será que conseguimos viver sem ter "tudo" o que queremos?
Creio que não.
Temos "tudo", mesmo sabendo que não temos.
Pois, o que queremos e não temos é porque não vale a pena, não faz parte de "tudo".
Um dia perceberemos que não queremos, porque já temos TUDO.

Ter tudo .... é apenas ter. Sem viver.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

.: Aprendi :.

Existiu uma época em que aprendi a convencer as pessoas.
Não era muito novo. Apenas um tolo adolescente com um trunfo nas mangas.
Não sei como descobri, mas sabia falar o que queriam ouvir.
Percebia nos seus olhos o que aguçavam seus sentidos.
Aflições, desejos, sonhos e direções.
Não era necessário dizer mentiras.
Meias verdades já eram o suficiente.
E cada vez mais fui me especializando na arte do convencimento.

Convencer era realmente o que eu gostava de fazer.
Não importava o que.
Gostava de convencer você do certo ou do errado.
Gostava de mostrar as escolhas. Do avesso e do direito.
Determinar os parâmetros.
Expor e convencer. Argumentar.
Não havia nada mas interessante em ver como as pessoas reagiam e agiam.

O mais interessante é que nunca interferia na decisão final. Só fazia o papel de opositor para que a pessoa se convencesse por si só.
Quer dizer. Isso só aconteceu no início.
Era mas do que evidente que seria corrompido. O poder corrompe as pessoas.
Um tanto quanto um vigarista, passei a utilizar esta arte em benefício próprio.
Tinha construído uma ferramenta fundamental para a convivência humana.
É bem verdade que nem sempre lograva êxito nas minhas "investidas de convencimento".
Nem todas as pessoas são passiveis do convencimento. Mas boa parte está a nossa disposição.
Aprendi que as pessoas só querem uma oportunidade, mesmo que ínfima, para serem convencidas daquilo que precisam fazer. Como um cão treinado, apenas esperando a voz do domador. As vezes sinto que não convenço apenas dou coragem. O limiar de excitação.
Existem técnicas para o convencimento. Uma sequência lógica para a vitória.
Nunca revelarei a minha.
Mas, eu só preciso de dois minutos....

.... enquanto estive no Rio....
Aprendi.
Na verdade já vinha pensando nisso alguns dias antes do embarque.
Mas só no Rio aprendi.
Aprendi que não se pode convencer as pessoas por muito tempo.
Estava custando a acreditar nessa prerrogativa, contudo me mostraram e confirmaram no Rio que convencer pode soar como enganar. Depende apenas do meu interesse e do meu tom.
Então pergunto:
Quais as diferenças entre convencer e ludibriar?
Entre mostrar as opções e conduzir?

Infelizmente ainda não sei.

Só sei que meu corpo já não mas admite esse comportamento voraz pelo convencimento.
Não sei até que ponto enganei para ser quem sou e estar onde estou.
Posso ter vivido um longo engano.
Pois não sei
Não sei se eu convenci meus amigos a se tornarem meus amigos?
Se eu convenci as pessoas que me amam que elas precisam me amar?
As vezes prefiro acreditar que sim, porque nada está sendo eterno.

Hoje prefiro a distância e o silêncio.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

.: Entendi :.

Enquanto estive no Rio...
...pude entender "coisas" um tanto quanto simplórias.
Simples, mas que nunca havia notada. Muito menos percebido.
As vezes somos cegos. Agindo na certeza do escuridão.
Errar. Nunca temos certeza se estamos cometendo esse irresistível e necessário delito.

Em determinadas situações é difícil perceber que estamos errando.
Não é fácil se convencer de que estamos errando.
Pior.
Não é fácil convencer as pessoas de que estamos certos.
É extremamente difícil acreditar que passamos uma "eternidade" vivendo num grandioso erro.
É difícil assumir diante das pessoas. Voltar a trás.
Fácil mesmo é julgar erros.
Não os meus. Mas os seus.
Pois, não enxergo meus erros. Para mim são certezas. Verdades irrefutáveis.
Seu erros me mostram o quão certo estou.
Isto reflete minha prepotência e minha pouca humildade?
Não, não...
Não me refiro ao fato sermos humildes ou prepotentes.
Não trato de erramos numa simples conta de 2 + 2 = 4 ou 22.
Trato de erros..... , erros naturais, subliminares, substancias, abstratos, sem referencial ....

Entendi que julgo seu erro baseado na minha grande certeza.
Entendi que só estou certo porque você ou alguém está errado ou errando em algum lugar.

Se não sabemos o que é, e aonde está o certo, estaremos sempre errando. "Eternamente".
Se não sabemos o que é, e aonde está o erro, estaremos sempre certos. "Eternamente"

Não que eu queira entrar na discussão de que o "Ovo veio antes da Galinha",
mas afinal de contas o Certo e o Errado se misturam para dar gosto a vida.
As vezes amargo. As vezes doce.

Fácil e difícil.
Errado e certo.
Nunca estamos certos. Nunca estamos errados.
Estamos sempre você e eu, Lucas continuamente cometendo o simples delito de errar e o complexo crime hediondo de acharmos que estamos certos.

O que entendi pode não fazer sentido porque assumir que uma pessoa está certa é delatar o seu próprio erro.
É notar aquilo que nunca havíamos notados. É perceber aquilo nunca havíamos percebido.

O silêncio e o tempo nos tornam cegos.