terça-feira, 6 de novembro de 2007

.: Simples :.

Passei esses últimos dias procurando entender a simplicidade.
Ou melhor, a não simplicidade.

Deveria ser mais simples. Viver mais simples.

Nunca fui adepto as coincidências e ao acaso da vida.
Eu, Lucas sempre fui céptico o suficiente para desmentir as casualidades da vida.
Sempre acredito que colhemos o que plantamos.

Mas acho que estou enfraquecendo o meu potencial céptico construído ao longo dos anos.
Talvez esteja mudando.
Ou simplesmente esteja prestando mais atenção ao redor.
Mais antenado. Menos cego.

Não sei a razão, mas decidi reler um livro. Um livro pequeno.
Só queria ler um dos capítulos, apenas o primeiro. Mas não consegui parar de lê-lo.
Devorei as suas páginas em poucos momentos.
E lá estava:

"Sim, tudo é simples. São os homens que complicam as coisas."
Albert Camus

Eu podia ter lido apenas o primeiro capitulo. Na verdade eu nem poderia ter relido Camus.
E ter ficado divagando por cem anos...
Mas li. Fiz o que tinha que ser feito. O que achava certo.

Coincidência?

Estou passando a crer que tudo tem seu tempo.
Mas a busca mal começará e já tinha sido "solucionada".
Parcialmente vale ressaltar, pois essa afirmação de Camus nos leva aos obscuro da nossa alma.

Nesse meio tempo fui acusado casualmente de SER um SER complicado demais. Mais uma casualidade da vida?
O fato é que já havia aliviado minhas questões da simplicidade com Camus, mas o acontecido me deixou com ar de desprezo e solidão.
Foi a primeira vez que me senti homem. Um ser que complica.
Nunca duvidei da minha humanidade. Poderia ter mil argumentos para contrapor a acusação. E na verdade tinha. Mas só iriam me deixar mais humano. Mais complicado.
O silêncio é o melhor dos sons falados.

Não sei.
Não sei por que as "coisas" não são simples.
Não sei por que somos humanos.
Não sei se deviria ser mais simples. viver mais simples.
Não sei se deveríamos deixar de ser humanos.
Não sei.

Estranho mais simplesmente não sei.
Não sei o que plantei.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

.: A Lua e o Sol :.

Mesmo cercado por pessoas nunca me senti tão só.
Mesmo falando como um narrador nunca me senti tão mudo.
Mesmo sabendo meus próximos passos nunca me senti tão perdido.

Deveria ser mais simples. Viver mais simples.

Mesmo com todo o ar da terra me sinto asfixiado.
Mórbido como a Lua.
Que só ganha vida ao encontrar o Sol. Que só tem sentido após o ser iluminada.
A Lua vive do Sol, e o Sol dá vida a Lua.
Parece um parasitismo do qual a Lua vive as custa do Sol.
O Sol não ganha, só dá sua luz em troca do nada.
Acredito que a Lua saiba disso,
mas a Lua precisa do Sol para cumprir sua missão à noite.
Eles não podem se desligarem, se afastarem. Acabariam com o ciclo da vida.
Mas...
como pode Lua roubar o brilho do Sol?
Como pode o Sol permitir?
Como pode a Lua ter ser tão dependente?

Não sei. O universo foi criado assim.
Devia ser mais simples.

Só acho que o Sol também usa a Lua.
O Sol descansa durante noite.
Não é um parasitismo.
Ambos dependem um do outro.
Mesmo, aparentemente, um oferecendo mais que o outro.

O Sol tem medo que a Lua não volte para poder descansar.
A Lua tem medo que o Sol não mas ilumine sua vida.
Apesar de não se encontrarem ambos sofrem com a ausência do outro.

Não sabemos quem somos: O sol ou A lua.
A Lua cercada por milhões de astros, se acha solitária no imensidão do universo
Sabe exatamente aonde vai estar em um milhão de anos, mas não pode ter certeza do amanhã. Não sabe se o Sol brilhará para ela.
O Sol reina sobre a galáxia, mas está subjugado a vida da Lua.
Não conseguiria respirar se a Lua não chegasse.

A saída?
Talvez saibamos:
Cada um procurar um novo Sol e uma nova Lua.
E assim manter a mesma dependência vulgar eternamente.