sexta-feira, 2 de novembro de 2007

.: A Lua e o Sol :.

Mesmo cercado por pessoas nunca me senti tão só.
Mesmo falando como um narrador nunca me senti tão mudo.
Mesmo sabendo meus próximos passos nunca me senti tão perdido.

Deveria ser mais simples. Viver mais simples.

Mesmo com todo o ar da terra me sinto asfixiado.
Mórbido como a Lua.
Que só ganha vida ao encontrar o Sol. Que só tem sentido após o ser iluminada.
A Lua vive do Sol, e o Sol dá vida a Lua.
Parece um parasitismo do qual a Lua vive as custa do Sol.
O Sol não ganha, só dá sua luz em troca do nada.
Acredito que a Lua saiba disso,
mas a Lua precisa do Sol para cumprir sua missão à noite.
Eles não podem se desligarem, se afastarem. Acabariam com o ciclo da vida.
Mas...
como pode Lua roubar o brilho do Sol?
Como pode o Sol permitir?
Como pode a Lua ter ser tão dependente?

Não sei. O universo foi criado assim.
Devia ser mais simples.

Só acho que o Sol também usa a Lua.
O Sol descansa durante noite.
Não é um parasitismo.
Ambos dependem um do outro.
Mesmo, aparentemente, um oferecendo mais que o outro.

O Sol tem medo que a Lua não volte para poder descansar.
A Lua tem medo que o Sol não mas ilumine sua vida.
Apesar de não se encontrarem ambos sofrem com a ausência do outro.

Não sabemos quem somos: O sol ou A lua.
A Lua cercada por milhões de astros, se acha solitária no imensidão do universo
Sabe exatamente aonde vai estar em um milhão de anos, mas não pode ter certeza do amanhã. Não sabe se o Sol brilhará para ela.
O Sol reina sobre a galáxia, mas está subjugado a vida da Lua.
Não conseguiria respirar se a Lua não chegasse.

A saída?
Talvez saibamos:
Cada um procurar um novo Sol e uma nova Lua.
E assim manter a mesma dependência vulgar eternamente.

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