Alguns apresentam sua definição.
Outros preferem esconder sua percepção.
Mas, a maioria desmente sua importância.
De fato não estamos fadados perceber a importância de sua definição.
Eu, Lucas, acho que melhor seria se tal afirmação se tornasse uma irônica pergunta da qual sabiamente relevamos a resposta.
Pois, percebemos de que assim como a infância, adolescência e a juventude são passageiras a velhice se torna finitamente eterna.
Vai soar um tanto quanto estranho. Mas eu, Lucas, começei a debater as repetições familiares. Os clichês em massa. Agora, eu, Lucas, continuo com os clichês pessoais, o que sempre fazemos metodicamente, não para as pessoas envoltas, mas para nos sentirmos nós mesmo. Nossa identidade. Estranho é começar falando sobre envelhecer e terminar com o nascer.
Clichê e envelhecer, algo em comum? Será que amadurecer é passar por transformações iguais e repetidas? Será que sempre é preciso levantar para cair novamente e assim nos tornarmos nós?
Parece sem solução? Mas já pude abstrair algumas idéias de Paulo Gaudêncio ainda no 1° ano.
Eu, Lucas, não quero aqui falar dos clichês pessoais em abrangência. Falo apenas, dos meus, Lucas, dos quais tenho conhecimento de causa a mais de 23 anos. Não acho difícil, escrever sobre eles, pois repito esses clichês a bastante tempo. E a medida que o tempo passa adiciono outros, outros e mais outros. E repito, repito e repito....
A quem diga que sou irônico, precoce, intrometido. Mas todos concordam num ponto: Lucas = chato. Meu principal clichê. Ser um chato.
Não sei qual ponto da minha Meia Vida decidi ser chato. Acredito que fiz uma escolha e ser chato apenas uma conseqüência, não trágica, mas engraçada. Eu, Lucas, sempre gostei de ver as pessoas sorrindo, aparentemente felizes, esquecendo aquilo que as amedrontam. Agora sim, as idéias de Paulo Gaundência, vão começar a se clarear. Porque as pessoas - quero dizer: a maioria - só riam (riem) quando eu, Lucas, era (sou) irônico e chato. Apenas falo aquilo que querem ouvir.
Por exemplo, - mas um clichê, sempre gosto de explicar algo com exemplos e analogias baratas - uma menina vai fazer algo de extrema importância, digamos se encontrar com alguém..., está bem aperreada e ansiosa. Se ela me perguntar se está bonita, a roupa combinando, ela não quer ouvir um: ohh sim, como você está belíssima! Ela não vai se esquecer da ansiedade, do medo. Não irá sorrir. O que ela quer ouvir de mim, Lucas, é simples. É justamente o oposto. Ela precisa ver em meu rosto o espanto frente a sua roupa e beleza. Ouvir meu comentário irônico e saudoso, pois assim ela rirá, refletirá e a convencerei de que não tem como não estar bonita e arrumada, e se acaso não a convencer ela perceberá o que falta para ela se sentir bonita e arrumada.
É verdade que nem sempre funciona. Já devo ter feito milhões de inimigos. Ter criado profunda depressão. É o meu risco. É assim que sou.
Há algum tempo venho estudando meu comportamento. Pensando nos meus dias. Analisando com cuidado cada passo, cada palavra. A conclusão já havia tirado há um bom tempo também. Vivo agora as consequências de ter percebido - se é que elas existam. Sou o mesmo todos os dias. Sempre faço as mesmas coisas, do mesmo modo, na mesma hora. É engraçado perceber, se ver fazendo e se perguntar por que todos os dias eu, Lucas faço isso. É tudo tão igual. Tão previsível.
Eu, Lucas, sempre:
- quando vejo Vera pela manhã, dou um bom caloroso ou então faço aquela cara de sono, e fico esperando o meu Bom dia luquinhas.
- quando encontro com Elaine, mudo minha voz e conto milhares de mentiras inacreditáveis, que ela sempre acredita. E sempre dizia: existem projetos e sub-projetos.
- quando passo por Nataly, pergunto se ela (ainda) está malhando, ou porque saiu da academia. E agora ela, Nataly, vem vestida com uma calça cor verde-musgo abacate-limão e claro que sempre traço algum comentário irônico.
- Digo: "é a equipe Virologia". Ou então: "foi, eu liguei ontem de noite para combinar". Inacreditavelmente, eu, Lucas, e o parceiro, Rafael, sempre vestimos camisas da mesma cor. Tem dias que estamos com camisas, calças e tênis "iguais, parece mentira.
Poderia dizer outras dezenas. Mas espero que captaram.
Ainda sou um clichê. Mas não inconsciente. Acho que de certa forma isso tenta me modificar. Para Paulo, o médico psicanalista, nós envelhecemos porque temos medo de mudar o que sempre repetimos. Pois em nosso caminho da vida percebemos como lidar com as pessoas. Por exemplo: Se um homem percebe que para ganhar qualquer mulher só basta dizer que a ama e dar uma jóia, por que motivo ele mudaria seu jeito, pois com o passar dos anos ele tornou-se craque nessa arte de dizer que ama e a de comprar jóias para qualquer mulher.
Porque ele compraria um bouquet de rosas?
É isso que nos faz envelhecer. A incapacidade de mudança, a inabilidade de sairmos dos clichê. A vontade de trilharmos novos caminhos. De mudarmos a forma como nos relacionamos com as pessoas e com nós mesmo é o que nos faz jovens, crianças novamente.
Queria achar outra maneira. De fazer alguém sorrir. Feliz.
Faz tempo que não me "sinto" criança.
Acho que precisamos nascer novamente.
6 comentários:
Vou dormir, meu filho. Televisão medá um sono....
texto maravilhoso, como sempre... mas n concordo c "Sou o mesmo todos os dias".
Pode ate parecer, numa analise superficial. Mas olhando bem, vc n eh mesmo! A evolução é natural dos sabios!
Lucas
Andei sem tempo e hoje decidi amanhecer o dia me encontrando com vc aqui.Li Eu,clichê e várias coisas me chamaram a atenção.Mas nesse momento toco em alguma palavra pra pensar com vc sobre ela.Que valor teria sentir-se CRIANÇA?Quem afastou seu jeito de criança do seu dia de hoje?Entregou a alguém a vida pra ser seu tutor?Se faz falta sentir-se criança, resgata.Se alguém fez ser adulto só(que só se preocupa com números...dizia o escritor)perceba que então ficou a mercê do outro.SE falta algo em vc cate essa pedra do quebra cabeça e retoma a sua imagem pois o inteiro lhe pertence e só vc sabe o qunato mais precisa dele de que de seus pedaços por vez.Sempre darei a vc um bom dia.Seu valor é grande menino.E a vida uma chance.Beijo e conversaremos mais...Obrigada... viu? Beijo
pode ser meio clichê, mas eu te amo, cara, de coração. Vc eh um irmão. Acho q vc devia continuar a escrever seus textos q, diga-se de passagem, são muito fortes e intrigantes. Um abração desse cabra aki. xeru
Eu ainda acho q devias voltar a escrever...
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