sábado, 28 de fevereiro de 2009

.: Estrada :.

Dizem que aos 24 anos muitas dúvidas surgem.
Uma idade conturbada.
Intrigante.

Será mesmo?

Nada muda?
O mesmo cenário infantil e nostálgico.

A "minha" velha casa de portão azul, onde eu, Lucas, aprendi a ser criança, já não é a mesma com seus dois portões metálicos brilhantes ladeados por aparatos eletromecânicos. O número 62 deverá ser em breve substituído por uma nova vida. Um nova vida que brotando da calçada, em forma de pau-brasil, modifica ainda mais a minha antiga paisagem.

Nada disso foi ou é planejado. Ao menos por eu, Lucas. Não controlamos.

Ter os famosos 24 anos é descobrir que estamos a frente da direção numa estradaestrada previamente construída, estando nosso destino previamente escrito em nossas cabeças egoístas e racionais. O quão somos levados a crer nisso: sem pensar, sem imaginar.

E estamos certo, nos fortificamos com isso. É o nosso tronco.

Quem sabe se controlamos apenas partes que hoje achamos importantes e essencial para alcançar nosso destino. Alcançar a próxima curva daquela velha estrada egoísta e fechada.

Na metade dos meus 24 anos notar isto é perceber que não hei voltar ao meu passado - não refiro a forma simplória dessa idéia quando dizemos aos 15 anos esse velho jargão. Perceber isso é saber que não serei capaz de fazer, refazer, modificar, viver e reviver.

Conturbado porque gostaria de saber a resposta exata.
Intrigante porque queria saber o que se deve sentir, o que se deve fazer. É mais fácil quando já nascemos em cima do muro e seguimos com a garra, e mesmo sem saber que estamos com os olhos vendados, para o nosso destino.

Gostaria que não fosse assim. Queria ser hipócrita o suficiente para assumir que não há nada em que me arrependo de ter feito e de não ter feito. Mas eu, Lucas não sou.

Posso até ser orgulhoso (e com orgulho), mas me arrependo de "coisas" que sei que não farei porque amanhã é simplesmente um novo dia. As vezes minha imaginação tenta refazer o passadas. Planejando-o:

"Vivo de novo"
Gram

Será que deveria ser assim?

Eu, Lucas não trocaria meu velho portão azul que serviu como molde para mil brincadeiras, por um aparato eletromecânico moderno capaz de se mover ao simples toque de um botão, mais com uma fragilidade que não suportaria um único chute certeiro.

Da minha varandinha, ao som da brisa, vendo tudo permanecer constate e imutável, não sei o quão importe é permanecer na estrada ou não?

Na vida tudo passa, mas nem tudo que passa a gente esquece!
Linhas Ciganas

Quem vai, quem fica? - Melhor: quem vem?
Quem mente?
Quem respeita, quem desmente?
Quem descuida, quem cuida?
Quem decide?
Quem acusa?
Quem vive, quem morre, quem se eterniza?
Quem faz chover?

A estrada pode até estar construída, mas apenas passaremos por ela quando vivermos cada uma dessas respostas.

Por que? talvez porque, além do horizonte, além da estrada…existe algo além do que se vê….

Mas a estrada, o destino? Existem?

11 comentários:

Anônimo disse...

Acreditar que o velho portão azul, só porque sempre esteve lá, é mais seguro e melhor, talvez seja um pensamento conservador. É inevitável a mudança ao nosso redor. Um sentimento que existia um dia pode não mais ser encontrado pelo simples fato que TUDO MUDA, evolui / involui (?).

Não adianta o que tentemos fazer, não depende de nós. O que acontece num passado resta ser lembrado como bons momentos vividos, que possivelmente serão únicos na vida. Tentar trazer o passado para o presente quando os componentes já foram modificados, seria uma experiência no mínimo frustrante. A gota de esperança de um lado e a quase certeza do fracasso q está por vir do outro.

Contudo, dependendo da importância que damos ao que temos ou ao que queremos ter, valeria a pena se adequar ao novo?
"Se arrepender de coisas que não farás" seria uma resposta a essa pergunta?

Sim, a estrada existe. Mais ainda, existem caminhos que podemos escolher seguir.
Caminhos estes que teríamos que "dar a cara à tapa" somente pra ver o que poderia acontecer - felicidade (?).
Ou caminhos outros (orgulho do "orgulho") que não arriscariam mais uma decepção - certeza (!).

No que apostar??

Haverá um momento que você terá a oportunidade de decidir qual destino escolher, e nesse momento, Lucas, eu te diria que:

é preciso força pra sonhar e perceber
que a estrada vai além do que se vê.

Dudu Mélo disse...

POurra... queria comentar, mas já o fizeram muito bem.

Só queria dizer q as dúvidas tornam a nossa vida mais interessantes. Mistério. O lado A, o lado B. O Certo e o Errado. Caminhos opostos. O tempo passa, as coisas seguem a correnteza. Umas permanecem conosco, outras se vão. SAUDADES. Ou alívio. Enfim, sentir é algo extraordinário.

Li disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Li disse...

Queria eu ser um pouco menos inquieta e impulsiva a ponto de ler e compreender pacientemente as tuas reflexões. Queria, aliás, tantas coisas que não posso ter nem ser... Blablá...
Não acho que a idade em si seja responsável por mais ou menos dúvidas, mudanças. Aos cinco anos, a idade dos por quês e porquês. Aos 15, aos 24, depois aos 30, 40, possivelmente cada dia de nossas vidas tem suas conturbações particulares. E nem sempre nossos divisores de águas, nossas vidas novas, novas fases, estão intimamente ligadas a uma idade específica.
As mudanças acontecem. Independente de idade, planos, previsões, perspectivas. É natural. É o que nos empurra pra frente. Mais atribulado, ou mais fácil, mudar radicalmente, imperceptivelmente. Mudamos. As coisas mudam. Mesmo quando estamos de encontro às mudanças, elas vem ao nosso encontro. É incontrolável. Passageiras, eternas, tristes, alegres. Elas sempre acontecem.
Quanto ao destino. Quero não acreditar que existe. Quero crer no meu livre arbítrio, no acaso, que posso encontrar meus objetivos por caminhos diferentes, usar atalhos, caminhar mais, cair, levantar. E se os resultados não foram os esperados, mude os objetivos! Quero ter a liberdade de mudar de objetivos. Quero usufruir meu direito de ir e vir e incluir meu direito de voltar atrás. Num futuro qualquer posso também concluir que o destino enfim existe, mas até lá vou negá-lo incansavelmente, poupando-o das culpas pelos meus próprios erros. Não parece tão mais fácil isentar-se e afirmar que foi obra do destino, que o destino assim quis?
Tomo emprestado teus pensamentos: “Às vezes minha imaginação tenta refazer o passado. Planejando-o.” Pra mim, é inevitável. Mas, talvez, refletir incessantemente nas conseqüências e optar por evitá-las, não seja a solução. Talvez, predizer todas as possibilidades e escolher uma única também não a seja. Todos têm arrependimentos e nem por isso conseguimos hesitar todos os erros o tempo todo.
Por fim, acho que você, Lucas, acredita piamente em conceitos e hipóteses imutáveis. E que é você que os faz assim. Não posso ser hipócrita o bastante para julgar se é certo ou errado, uma vez que não permito que ninguém me julgue também. Sugiro, porém, diante da “larga experiência” de ter 3 anos e 3 meses a mais que você, a ser mais flexível consigo mesmo. Não existe um manual de respostas para todas as perguntas e nem um plugue que liga e desliga ou mesmo seleciona o que sentimos. E eu teria tantas outras coisas para dizer, mas enfim, cada um com suas convicções.

Anônimo disse...

todos no aguardo dos comentarios do autor sobre os comentarios

Lucas Brandão disse...

Simplismente vivemos. Nada mais.
Mas não sou o melhor nem o pior
Sou eu, apenas Lucas.
Aquele que aposta na vida.
Na vida sem voltas, sem retorno.
Na vida pra ser vivida.
Não aposto, não dou a cara a tapa.
Não mudo, não troco.
Acho tudo uma mentira questionável. Uma grande mentira.
Na verdade a vida passa e o que fica é a vontade viver denovo aquilo que não vivemos.

Cher Antoine disse...

Mas do que você tem tanto medo, afinal?

NO one disse...

I guess you could try better!

Anônimo disse...

medo? todos temos...o bom é o mistério!

Anônimo disse...

Lucas volte a escrever! Por favor!
Porque em cada palavra do seu texto eu escuto o som da sua voz.

Anônimo disse...

Gostei muito de ler "estrada",realmente vc escreve muito bem! Escreva algo sobre o Amor...
Com certeza muitas pessoas vão gostar de ler.