sábado, 28 de fevereiro de 2009

.: Estrada :.

Dizem que aos 24 anos muitas dúvidas surgem.
Uma idade conturbada.
Intrigante.

Será mesmo?

Nada muda?
O mesmo cenário infantil e nostálgico.

A "minha" velha casa de portão azul, onde eu, Lucas, aprendi a ser criança, já não é a mesma com seus dois portões metálicos brilhantes ladeados por aparatos eletromecânicos. O número 62 deverá ser em breve substituído por uma nova vida. Um nova vida que brotando da calçada, em forma de pau-brasil, modifica ainda mais a minha antiga paisagem.

Nada disso foi ou é planejado. Ao menos por eu, Lucas. Não controlamos.

Ter os famosos 24 anos é descobrir que estamos a frente da direção numa estradaestrada previamente construída, estando nosso destino previamente escrito em nossas cabeças egoístas e racionais. O quão somos levados a crer nisso: sem pensar, sem imaginar.

E estamos certo, nos fortificamos com isso. É o nosso tronco.

Quem sabe se controlamos apenas partes que hoje achamos importantes e essencial para alcançar nosso destino. Alcançar a próxima curva daquela velha estrada egoísta e fechada.

Na metade dos meus 24 anos notar isto é perceber que não hei voltar ao meu passado - não refiro a forma simplória dessa idéia quando dizemos aos 15 anos esse velho jargão. Perceber isso é saber que não serei capaz de fazer, refazer, modificar, viver e reviver.

Conturbado porque gostaria de saber a resposta exata.
Intrigante porque queria saber o que se deve sentir, o que se deve fazer. É mais fácil quando já nascemos em cima do muro e seguimos com a garra, e mesmo sem saber que estamos com os olhos vendados, para o nosso destino.

Gostaria que não fosse assim. Queria ser hipócrita o suficiente para assumir que não há nada em que me arrependo de ter feito e de não ter feito. Mas eu, Lucas não sou.

Posso até ser orgulhoso (e com orgulho), mas me arrependo de "coisas" que sei que não farei porque amanhã é simplesmente um novo dia. As vezes minha imaginação tenta refazer o passadas. Planejando-o:

"Vivo de novo"
Gram

Será que deveria ser assim?

Eu, Lucas não trocaria meu velho portão azul que serviu como molde para mil brincadeiras, por um aparato eletromecânico moderno capaz de se mover ao simples toque de um botão, mais com uma fragilidade que não suportaria um único chute certeiro.

Da minha varandinha, ao som da brisa, vendo tudo permanecer constate e imutável, não sei o quão importe é permanecer na estrada ou não?

Na vida tudo passa, mas nem tudo que passa a gente esquece!
Linhas Ciganas

Quem vai, quem fica? - Melhor: quem vem?
Quem mente?
Quem respeita, quem desmente?
Quem descuida, quem cuida?
Quem decide?
Quem acusa?
Quem vive, quem morre, quem se eterniza?
Quem faz chover?

A estrada pode até estar construída, mas apenas passaremos por ela quando vivermos cada uma dessas respostas.

Por que? talvez porque, além do horizonte, além da estrada…existe algo além do que se vê….

Mas a estrada, o destino? Existem?

segunda-feira, 31 de março de 2008

.: Eu, clichê :.

Alguns apresentam sua definição.
Outros preferem esconder sua percepção.
Mas, a maioria desmente sua importância.

De fato não estamos fadados perceber a importância de sua definição.

Eu, Lucas, acho que melhor seria se tal afirmação se tornasse uma irônica pergunta da qual sabiamente relevamos a resposta.
Pois, percebemos de que assim como a infância, adolescência e a juventude são passageiras a velhice se torna finitamente eterna.

Vai soar um tanto quanto estranho. Mas eu, Lucas, começei a debater as repetições familiares. Os clichês em massa. Agora, eu, Lucas, continuo com os clichês pessoais, o que sempre fazemos metodicamente, não para as pessoas envoltas, mas para nos sentirmos nós mesmo. Nossa identidade. Estranho é começar falando sobre envelhecer e terminar com o nascer.

Clichê e envelhecer, algo em comum? Será que amadurecer é passar por transformações iguais e repetidas? Será que sempre é preciso levantar para cair novamente e assim nos tornarmos nós?

Parece sem solução? Mas já pude abstrair algumas idéias de Paulo Gaudêncio ainda no 1° ano.

Eu, Lucas, não quero aqui falar dos clichês pessoais em abrangência. Falo apenas, dos meus, Lucas, dos quais tenho conhecimento de causa a mais de 23 anos. Não acho difícil, escrever sobre eles, pois repito esses clichês a bastante tempo. E a medida que o tempo passa adiciono outros, outros e mais outros. E repito, repito e repito....

A quem diga que sou irônico, precoce, intrometido. Mas todos concordam num ponto: Lucas = chato. Meu principal clichê. Ser um chato.

Não sei qual ponto da minha Meia Vida decidi ser chato. Acredito que fiz uma escolha e ser chato apenas uma conseqüência, não trágica, mas engraçada. Eu, Lucas, sempre gostei de ver as pessoas sorrindo, aparentemente felizes, esquecendo aquilo que as amedrontam. Agora sim, as idéias de Paulo Gaundência, vão começar a se clarear. Porque as pessoas - quero dizer: a maioria - só riam (riem) quando eu, Lucas, era (sou) irônico e chato. Apenas falo aquilo que querem ouvir.

Por exemplo, - mas um clichê, sempre gosto de explicar algo com exemplos e analogias baratas - uma menina vai fazer algo de extrema importância, digamos se encontrar com alguém..., está bem aperreada e ansiosa. Se ela me perguntar se está bonita, a roupa combinando, ela não quer ouvir um: ohh sim, como você está belíssima! Ela não vai se esquecer da ansiedade, do medo. Não irá sorrir. O que ela quer ouvir de mim, Lucas, é simples. É justamente o oposto. Ela precisa ver em meu rosto o espanto frente a sua roupa e beleza. Ouvir meu comentário irônico e saudoso, pois assim ela rirá, refletirá e a convencerei de que não tem como não estar bonita e arrumada, e se acaso não a convencer ela perceberá o que falta para ela se sentir bonita e arrumada.

É verdade que nem sempre funciona. Já devo ter feito milhões de inimigos. Ter criado profunda depressão. É o meu risco. É assim que sou.

Há algum tempo venho estudando meu comportamento. Pensando nos meus dias. Analisando com cuidado cada passo, cada palavra. A conclusão já havia tirado há um bom tempo também. Vivo agora as consequências de ter percebido - se é que elas existam. Sou o mesmo todos os dias. Sempre faço as mesmas coisas, do mesmo modo, na mesma hora. É engraçado perceber, se ver fazendo e se perguntar por que todos os dias eu, Lucas faço isso. É tudo tão igual. Tão previsível.

Eu, Lucas, sempre:

- quando vejo Vera pela manhã, dou um bom caloroso ou então faço aquela cara de sono, e fico esperando o meu Bom dia luquinhas.

- quando encontro com Elaine, mudo minha voz e conto milhares de mentiras inacreditáveis, que ela sempre acredita. E sempre dizia: existem projetos e sub-projetos.

- quando passo por Nataly, pergunto se ela (ainda) está malhando, ou porque saiu da academia. E agora ela, Nataly, vem vestida com uma calça cor verde-musgo abacate-limão e claro que sempre traço algum comentário irônico.

- Digo: "é a equipe Virologia". Ou então: "foi, eu liguei ontem de noite para combinar". Inacreditavelmente, eu, Lucas, e o parceiro, Rafael, sempre vestimos camisas da mesma cor. Tem dias que estamos com camisas, calças e tênis "iguais, parece mentira.

Poderia dizer outras dezenas. Mas espero que captaram.

Ainda sou um clichê. Mas não inconsciente. Acho que de certa forma isso tenta me modificar. Para Paulo, o médico psicanalista, nós envelhecemos porque temos medo de mudar o que sempre repetimos. Pois em nosso caminho da vida percebemos como lidar com as pessoas. Por exemplo: Se um homem percebe que para ganhar qualquer mulher só basta dizer que a ama e dar uma jóia, por que motivo ele mudaria seu jeito, pois com o passar dos anos ele tornou-se craque nessa arte de dizer que ama e a de comprar jóias para qualquer mulher.

Porque ele compraria um bouquet de rosas?

É isso que nos faz envelhecer. A incapacidade de mudança, a inabilidade de sairmos dos clichê. A vontade de trilharmos novos caminhos. De mudarmos a forma como nos relacionamos com as pessoas e com nós mesmo é o que nos faz jovens, crianças novamente.

Queria achar outra maneira. De fazer alguém sorrir. Feliz.

Faz tempo que não me "sinto" criança.

Acho que precisamos nascer novamente.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

.: Igual a Ontem :.

Acordamos

Não queremos levantar. Mas levantamos. Sempre
Seguimos com Banho. Café da Manhã. Nem sempre nessa ordem.
Nos despedimos, sempre quando podemos.
Abrimos a porta e ganhamos o mundo. Sempre com a esperança de voltarmos.

Quantos de nós não fizemos isso hoje ?
Pois é. Também fizemos ontem, antes de ontem...

Aqui em casa hoje sempre é igual a ontem. Invariavelmente. Dinamicamente idêntico. Não ligamos, mas nossas famílias são metricamente metódicas, como um equipamento complexo que precisa que o manual de instrução seja sequencialmente cumprido para funcionar corretamente.

Eu, Lucas, tento compreender as origens dos clichês familiares. Talvez sejam transmitidos através das nossas gerações. Prefiro tentar entender a forma que esses clichês podem atuar no nosso cotidiano dinâmico. Decifrar porque somos cíclicos. Sem dúvida, são dessas repetições, desses clichês que sentimos ou sentiremos mais falta. Eles nos torna homens, amigos, uma família.

Eu, Lucas, começo com uma descrição que parece ocorrer na maioria das famílias - em verdade já presenciei varias vezes - e depois permeio algumas das peculiaridades dos meus clichês familiares. Apenas uma mera descrição.

Não parece, mas nossa casa vive.
E vive em perfeita homeostaisa com os seres que nela habitam.

A casa nos dá um local onde todos sempre se reúnem. Como um ritual estranhamente aparecemos lá, todos juntos mudos-falantes.

Seja na cama de casal da mãe,
Seja na mesa das refeições,
Seja no sofá frente a TV.

Não importa onde seja, o fato é que a casa permite nos escondermos nas entranhas da nossa família.

Em determinadas circunstancias tal homesotasia é quebrada. Nosso esconderijo foi transferido. E curiosamente, não nos sentimos tão mais em casa. Parece que algo foi retirado de nos.

Uma vez estava eu, Lucas, na casa de um amigo. Eu, Lucas era bem mais novo do que sou agora. Havia passado a tarde toda nessa casa. Não sei ao certo mas, mudaram a posição do sofá de três lugares que ficava milimetricamente orquestrado na sala em frente a TV, ao alcance do telefone, e próximo o suficiente para suspender os pés para cima do centro sem fazer grandes esforços.

- "qui" danado foi que fizeram aqui menino?

Acho que foram essas as palavras da matriarca da casa ao se deparar com tal "problema". Seu rosto permaneceu por vários dias rodeando em minha mente. Foi de um transtorno, desconforto quase que inigualável.

O que representa o sofá da casa?


Ainda não sei exatamente, mas eu, Lucas, afirmo que essa(s) repetição(ões) familiar(es), esse clichê(es) em comunhão é o que nos torna família. Transcende a nossa selvageria.

Eu, Lucas, tenho outro exemplo-sofá. Na minha casa antiga. "Obviamente" tinha um sofá. O ponto de encontro. Estávamos de mudança para a casa nova. E a matriarca da casa então decidiu doar o nosso sofá. E fez isso um mês antes de nos mudarmos de fato para a nova casa. Resultado: ficamos sem um dos nossos principais clichês. Pareciamos que não estávamos em casa. Não assistíamos mas televisão. Tornamos-nos menos família. Era estranho. Foi estranho. Não era mais igual a ontem.

A casa com seu mecanismo homeostático liderou a reviravolta. Não iríamos agüentar por muito tempo. Foi simples.
Um quintal. Uma mesa. Algumas cadeiras. Uma rede.
Pronto. Após dias sem sofá, voltamos a ser uma família. Hoje voltou a ser igual a ontem. Sem perceber Sempre estávamos ali agora.

Para não ficar muito extenso, vou apenas listar alguns exemplos - um tanto quanto pessoais - dos clichês da minha família.

1) Assim que acaba uma novela da globo, seguida, logicamente de uma nova, esperamos a minha dizer que nunca mais vai assistir nenhuma novela. É inacreditável, mas D. Joana sempre diz. Não damos uma semana e lá está ela, D. Joana, aterrorizando com controle remoto.

2) Além disso, D. Joana, nunca viu um final do capitulo da novela. Como um gás de sono, a TV, provoca a quebra de seu pescoço. E lá está ela dormindo. Assim que sobe as letrinhas da globo, infalivelmente, ela acorda e fala: Me explica como foi...

3) Meu irmão sempre que pode se esconde quando eu estou chegando em casa. Eu, Lucas suponho que não tem ninguém em casa e pronto lá está o zé mama do meu irmão tentando me dar mais um susto. A recíproca é verdadeira, pois eu também me escondo.

4) Aqui em casa certos comentários e ações "não" são permitidos. Ai daquele que fala ou faz algo sem graça, sem nexo, ou algo demasiadamente reacionário. Você fica marcado eternamente. Pois, rirmos e mangamos indefinidamente.

5) Eu, Lucas e meu irmão nunca dormimos cedo. Sempre que acabamos de fazer nossas obrigações sentamos em frente a TV. Não importa a hora, nem o dia. Na maioria das vezes é só para ficar lá.

6) Minha mãe sempre tem que chamar alguém para sentar na mesa, até mesmo quando já estão todos sentados. E o mais incrível é que ela as vezes chama mesmo quando a comida não esta pronta.

7)...

Nossa família nos faz perceber que entre o hoje e o ontem não existem diferença. Sem modificações. Sem evoluções.

Um filosofo evolucionista, tentou me mostrar a evolução como um evento cíclico. Como uma passagem do heterogêneo difuso para o homogêneo equilibrado. Onde o ciclo irá recomeçar, se repetirá para sempre, mas sempre tendo o mesmo desfecho.

Quem sou eu, Lucas, um reles estúpido para me contrapor a uma idéia que passou por mais de 40 anos e dez volumes para ser explicada. Certo ou errado, Spencer mostra que talvez nossa família seja cíclica porque ela evolua, e por isso que hoje se começa um novo dia, heterogêneo difuso, e acabe igual a ontem. Com modificações. Com evoluções.

domingo, 13 de janeiro de 2008

.: Déjà vu :.

Não percebemos a sua presença.
Mas somos cercados por clichês dinâmicos.
Diários. Inevitáveis

Fazem parte de nossas vidas.
Nossas vidas dinâmicas.
Cotidiano.
Já pensaram no que sempre...
vemos,
escutamos,
falamos,
cheiramos,
sentimos
...
diariamente, semanalmente mensalmente, anualmente ....


Não acham estranho ?
Uma sensação incomoda de Déjà vu diário ...

Quando a mente está demasiadamente ocupada, eu, Lucas, permaneço "estaticamente parado" com a "dinamicidade das repetições" diárias.
Perplexo. Em estafa temporalmente mental. (- Talvez um mecanismo interno meu, Lucas, para desocupar a mente e me preocupar com o nada)

Não querendo ser nulista e tão pouco niilista, mas o que discutirei não tem muita importância, são só palavras e não mudarão a forma que vemos nossas vidas.

É apenas a meu ponto, sem critica e "sem clichês"

Não sei quantas formas de clichês existem, eu, Lucas em minha pouca inteligência percebi três tipos de clichês.
São as três formas do cotidiano atuar na vida.
  1. Clichês em massa.
  2. Clichês familiares.
  3. Clichês pessoais.

*Clichês em massa

Acredito eu, Lucas que a vida se apóia num arcabouço, num tronco principal e segue seu curso. E por isso ela se repete.
Se repete como um ponteiro de um relógio de pulso que sempre passa no mesmo lugar no mesmo instante, como de costume, como programado.
Como uma cena de um filme repetida centenas de vez.
Um Feitiço do Tempo, no qual nos vemos presos diariamente.
Sempre tento explicar algo mostrando analogias, metáforas, coincidências, fatos...
Pensei bem, questionei algumas pessoas mais próximas para tentar encontrar a uma boa forma de permanecer no meu clichê pessoal e expor.

Imaginem uma formiga em uma árvore.
Imaginem que ambas nasceram no mesmo momento e vão crescendo juntas.
De forma que a formiga possa utilizar a árvore como habitat, como fonte de vida.
A formiga cresce sempre vasculhando o tronco principal da árvore. Ela não se questiona. Não nota. E nem dúvida. Mas sempre vê, escuta... no mesmo tronco principal. Em determinadas épocas, a árvore cresce e forma um novo galho, cujo a formiga passa a ver, escutar... nessa nova região nunca dantes explorada.
Mas a formiga sempre volta para o seu tronco tão querido. Parece mais seguro. Se sente em casa.
Caso a formiga passe a freqüentar com mais freqüência esse novo galho formado, a árvore como um "mecanismo interno" desenvolve, fortifica esse galho, fazendo com que a formiga se interesse cada vez mais a procurar esse novo ramo da árvore.
Mas engraçado, a formiga mesmo invadindo novos galhos durante seu crescimento, sempre volta ao seu tronco.
A formiga se repete.

Mas a pergunta não é, porque a formiga não procura outra árvore para viver.

A pergunta talvez seja, será que ela sabe que exista outra árvore?
Ou para que a formiga precisa de outra árvore? Num daria no mesmo ?

Em 2008 veremos, escutaremos, ... as "mesmas" "coisas" que vimos, escutamos em 2007. Como um tronco principal.

O Carnaval, seguido do São João, da semana santa... O interessante é que assim que acaba o Carnaval sempre existe alguém para dizer - que o próximo ano me aguarde, ou tu vai passar o São João aonde ? (as vezes isso acontece mesmo antes de acabar o Carnaval).

Veremos as "mesmas" noticias, escutaremos as "mesmas" musicas, iremos aos "mesmo" locais que sempre vamos, falaremos com as "mesmas" pessoas as "mesmas" coisas de sempre.

Nunca repararam, então assistam as próximas noticias, por exemplo, as dos Carnaval, e compare com as de 2007. Falarão sobre o Galo, as ladeiras de Olinda, As escolas de samba... Mas não serão "coisas" inéditas. Serão as "mesmas" "coisa" com um outro ponto de vista. Vão se sentir no Déjà vu.

Bem vindo ao cotidiano.

E o que fazemos de diferente não conta ?

São os novos galhos. O novo. O diferente do mesmo. A fuga do clichê.

Mas em certos momentos até o novo se repete, pois o que fazemos para fugir do clichê e fortificar um galho novo, é o que sempre fazemos.

Talvez o grande ponto que diferencie um ordinário de um extraordinário seja a capacidade do extraordinário perceber os clichês e não cair nas armadilhas do cotidiano dinâmico, e viver lutando para ter uma vida diariamente diferentemente.
Mas talvez uma pessoa extraordinária, signifique uma pessoa duplamente ordinária que esquece a simplicidade do cotidiano, dos clichês matinais e não possui a capacidade de viver a vida porque está sempre lutando contra ela.

A questão é: a árvore sempre nos fornecerá galhos novos, cabe a nós fortificá-los.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

.: Simples :.

Passei esses últimos dias procurando entender a simplicidade.
Ou melhor, a não simplicidade.

Deveria ser mais simples. Viver mais simples.

Nunca fui adepto as coincidências e ao acaso da vida.
Eu, Lucas sempre fui céptico o suficiente para desmentir as casualidades da vida.
Sempre acredito que colhemos o que plantamos.

Mas acho que estou enfraquecendo o meu potencial céptico construído ao longo dos anos.
Talvez esteja mudando.
Ou simplesmente esteja prestando mais atenção ao redor.
Mais antenado. Menos cego.

Não sei a razão, mas decidi reler um livro. Um livro pequeno.
Só queria ler um dos capítulos, apenas o primeiro. Mas não consegui parar de lê-lo.
Devorei as suas páginas em poucos momentos.
E lá estava:

"Sim, tudo é simples. São os homens que complicam as coisas."
Albert Camus

Eu podia ter lido apenas o primeiro capitulo. Na verdade eu nem poderia ter relido Camus.
E ter ficado divagando por cem anos...
Mas li. Fiz o que tinha que ser feito. O que achava certo.

Coincidência?

Estou passando a crer que tudo tem seu tempo.
Mas a busca mal começará e já tinha sido "solucionada".
Parcialmente vale ressaltar, pois essa afirmação de Camus nos leva aos obscuro da nossa alma.

Nesse meio tempo fui acusado casualmente de SER um SER complicado demais. Mais uma casualidade da vida?
O fato é que já havia aliviado minhas questões da simplicidade com Camus, mas o acontecido me deixou com ar de desprezo e solidão.
Foi a primeira vez que me senti homem. Um ser que complica.
Nunca duvidei da minha humanidade. Poderia ter mil argumentos para contrapor a acusação. E na verdade tinha. Mas só iriam me deixar mais humano. Mais complicado.
O silêncio é o melhor dos sons falados.

Não sei.
Não sei por que as "coisas" não são simples.
Não sei por que somos humanos.
Não sei se deviria ser mais simples. viver mais simples.
Não sei se deveríamos deixar de ser humanos.
Não sei.

Estranho mais simplesmente não sei.
Não sei o que plantei.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

.: A Lua e o Sol :.

Mesmo cercado por pessoas nunca me senti tão só.
Mesmo falando como um narrador nunca me senti tão mudo.
Mesmo sabendo meus próximos passos nunca me senti tão perdido.

Deveria ser mais simples. Viver mais simples.

Mesmo com todo o ar da terra me sinto asfixiado.
Mórbido como a Lua.
Que só ganha vida ao encontrar o Sol. Que só tem sentido após o ser iluminada.
A Lua vive do Sol, e o Sol dá vida a Lua.
Parece um parasitismo do qual a Lua vive as custa do Sol.
O Sol não ganha, só dá sua luz em troca do nada.
Acredito que a Lua saiba disso,
mas a Lua precisa do Sol para cumprir sua missão à noite.
Eles não podem se desligarem, se afastarem. Acabariam com o ciclo da vida.
Mas...
como pode Lua roubar o brilho do Sol?
Como pode o Sol permitir?
Como pode a Lua ter ser tão dependente?

Não sei. O universo foi criado assim.
Devia ser mais simples.

Só acho que o Sol também usa a Lua.
O Sol descansa durante noite.
Não é um parasitismo.
Ambos dependem um do outro.
Mesmo, aparentemente, um oferecendo mais que o outro.

O Sol tem medo que a Lua não volte para poder descansar.
A Lua tem medo que o Sol não mas ilumine sua vida.
Apesar de não se encontrarem ambos sofrem com a ausência do outro.

Não sabemos quem somos: O sol ou A lua.
A Lua cercada por milhões de astros, se acha solitária no imensidão do universo
Sabe exatamente aonde vai estar em um milhão de anos, mas não pode ter certeza do amanhã. Não sabe se o Sol brilhará para ela.
O Sol reina sobre a galáxia, mas está subjugado a vida da Lua.
Não conseguiria respirar se a Lua não chegasse.

A saída?
Talvez saibamos:
Cada um procurar um novo Sol e uma nova Lua.
E assim manter a mesma dependência vulgar eternamente.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

.: Ter :.

Não sei.
Mas me disseram que não podemos ter "tudo" o que queremos.
Acho que ela falou sem pensar. Nem notou o que havia dito.
Obviamente: notei e pensei.
Não notar e pensar simplesmente, mas como eu, Lucas.
Parece fácil, mas não para mim.
As vezes penso como os outros e nos outros. Mas não como eu, Lucas e nem em mim.

Mas será que seremos eternamente frustrados? Sem ter "tudo"?

Eu espero que você, minha cara, esteja errada. Nós temos sim, "tudo" o que queremos ter.

A questão é: se não temos é porque não queremos.
A pergunta é: o que é ter "tudo" o que queremos?

Não discuto, mas somos capitalistas. Queremos tudo, aprendemos quando crianças e aparentemente nunca esqueceremos.
E mesmo evitando, não pude deixar de pensar porque sempre estamos querendo.
É sem hipocresia, estamos querendo:
comprar,
ganhar,
grana,
vencer,
viajar,
sonhar,
dormir,
conhecer,
fazer....
Parece que nunca estamos satisfeitos. Talvez seja por isso que minha nobre parceira tenha regogitado aquelas palavras.

Sempre estamos esperando algo. Planejando e concretizando.
É isso que é viver? Metas a serem cumpridas?
As vezes esqueço de viver o que planejo. Ficamos mais preocupados com as próximas metas. Não lembramos o quanto queríamos e planejamos estar vivendo o hoje.

Não muito distante tracei alguns comentários chulos a respeito do sentido e desejo do fim (.: Sentido:.) que inconscientemente impelimos nas "coisas".
Mas tenho em mente nesse momento, o sentido e desejo do início. O oposto.
Algo me diz que Iniciar anda ao lado do Querer.
Por isso não sei.
Não sei se precisamos de um desejo inicial para querermos algo.
Porque se precisamos, eu, Lucas preciso descobrir da onde ele vem? E como ele surgi?
Queria entender essas espontaneidade. Esse vício.
Lembramos ladrões, cleptomaníacos roubando "tudo".

Será que conseguimos viver sem ter "tudo" o que queremos?
Creio que não.
Temos "tudo", mesmo sabendo que não temos.
Pois, o que queremos e não temos é porque não vale a pena, não faz parte de "tudo".
Um dia perceberemos que não queremos, porque já temos TUDO.

Ter tudo .... é apenas ter. Sem viver.